Fado que serviu de tema-enredo a Escola de Samba no carnaval de Sesimbra põe uma plateia a chorar

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Não é inédito escutarmos pessoas a chorar quando ouvem cantar Amália. Quando a triste melodia lhes evoca algum drama do passado. Porém, é a primeira vez que numa festa onde costuma imperar a alegria, uma multidão de pessoas desata a chorar, como se lhes tivessem roubado a chave e trancado em casa impedindo-as de se divertirem na rua.

Foi o que aconteceu na edição deste ano do carnaval saloio de Loures e de nada valeu ter vindo um speaker, tão em voga, pedir calma e anunciar aos berros que era preciso homenagear o fado e fora aquela a forma escolhida pela organização para lembrar que essa forma de arte era agora património imaterial da humanidade.

Entre o corso, sobressaía um carro alegórico com a réplica de uma guitarra em ponto grande tendo como pano de fundo uma reprodução da Severa de José Malhoa. Rodeavam-no de perto as bailarinas, todas muito novas, as quais evoluíam em movimentos lentos, como se com medo de errar, quisessem dar tempo ao ensaiador, de poder corrigi-las antes de darem o próximo passo.
Da cabeça aos pés de negro vestidas e ao som de um género que quem dera tivesse a alegria de uma valsa, lá iam cerca de uma dúzia, e o que desconhecemos é se era devido à música ser triste que as pessoas choravam ou se podíamos atribuir ao facto de nenhuma delas ir despida.

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