Autarcas substituem-se aos munícipes na limpeza das matas, mas não no cumprimento das obrigações conjugais

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Ao saber da intenção do Governo de colocar nos autarcas eleitos, a obrigação de estes se substituírem aos munícipes no dever de limpar as matas nacionais, logo houve quem pensasse que esta era apenas uma das primeiras tomadas com vista a suprir todas as necessidades dos portugueses.

Por essa ordem de ideias, primeiro haveria de aparecer a bater à porta de cada proprietário um autarca para aparar a floresta. Depois outro noutro lado para dar uma arrumadela na sala e pôr a casa a arejar, antes de passar ao quarto, onde teria à espera uma boazona carente, de só uma vez por ano o marido ausente no estrangeiro vir a casa honrar os deveres conjugais.

Vai daí, formaram-se logo às primeiras horas do dia, extensas filas de cidadãos do sexo masculino, às portas das sedes dos Partidos, a fim de se filiarem para poder integrar, em lugares elegíveis, as listas concorrentes às próximas eleições.

Já veio um porta-voz do Governo à televisão esclarecer que, da porta de casa para dentro, ninguém está autorizado por mandato algum, a ir fazer o que quer que seja, muito menos saciar o apetite sexual de uma mulher casada.

Por fim, o Governo esclarece que às Câmaras que não cumpram o dever de limpar matas e florestas podem ser cortados financiamentos, mas que é da exclusiva responsabilidade de cada eleitor, cumprir os seus deveres conjugais, sem esquecer os cívicos, a começar pelo de ir votar de 4 em 4 anos.

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